Monday, September 04, 2006

Waiting for Friday

Ultimamente ando um bocado perdido. Perdido numa melancolia musical, na qual nem mesmo as palavras me conseguem ajudar a encontrar-me; quase tudo me soa a falsidade pseudo-poética, sensações que me pertencem mas, simultaneamente, não são minhas. A indução de sentimentos que o choro dramático dos meus headfones toca soam-me a provocação, e não a realidade.

Talvez por isso me agarre tanto aos pequenos sentimentos que me são totalmente verdadeiros. E peço-vos que não façam presunções; estarão, provavelmente, erradas.

Devo dizer, no entanto, que não estou infeliz. Sinto, na realidade, uma estranha felicidade melancólica dentro de mim, que quase que morre de antecipação pelo que o futuro tem para esta; bom ao mau, estarei preparado. Sempre estive. Talvez essa seja a minha maior qualidade; quando o sofrimento é demasiado, consigo agarrar-me a algo inócuo, mas sólido o suficiente para que a dor regresse para o sótão escuro de onde não deveria ter fugido.

Sinto que há um medo mútuo de causar e sofrer dor, o que é bom; o desprendimento assustar-me-ia muito mais. Talvez por isso me sinta tão bem nas nossas trocas simples de palavras; tens o teu espaço que deve ser respeitado, mas não te afastas gelidamente e me deixas como que desterrado, abandonado. É preferível assim.

Apenas te peço uma coisa: nunca tenhas medo de ser honesto. Eu não julgo ninguém; eu não quero magoar ninguém; eu não tenho medo de passar pela dor da honestidade; eu não tenho medo de ser confrontado. Apenas tenho medo do que não é dito, pois essas palavras por pronunciar são sempre as mais dolorosas.

E não, eu não temo ser honesto. Podes contar comigo para o bem e para o mal.

Todos podem contar comigo, uns mais do que os outros.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Gostava de poder saber para quem escreves, secretamente.

Gostava que eu pudesse ser essa pessoa, mas não posso.

Em vão admiro-te, em segredo aprecio-te.

**

5:29 PM  
Anonymous Anonymous said...

Os caminhos que levam a algum lugar têm sempre increscências sinuosas em que os nossos olhos se estilhaçam quando contemplamos a distância para que a carne da terra a percorre remete e que é, no fundo, uma extensão da nossa própria carne, na medida em que se reproduz como condutora do que em nós gera a vontade de andar, de seguir em frente, de progredir e de abraçar o diante.

És especial porque percorres com os olhos e com minúcia visual, metafórica e puramente poética, o trilho que é palco do que urge em ti com a destreza fluída das emoções que, afinal, se sentem sempre pela primeira vez porque não se podem replicar como uma experiência científica em que as variáveis são as mesmas e em que tudo é passível de controlo, através da manipulação premeditada.

Toda a novidade porta, por definição, os contornos de um susto levemente induzido pela esperança de que corra tudo bem "desta vez" mas tu sabes, reflectindo, que a tua própria entrega ao fenómeno puramente etéreo do sentir há-de guiar-te por todas essas noites de angústia demolidora em que o silêncio abalroa todos os teus interstícios de tempo e de memória, onde tu só temes que fiquem coisas por dizer e não, como muita gente sente, medo de efectivamente dizê-las, experimentá-las e atiçá-las para que ganhem vida. Coisas por dizer asfixiam, mutilam e rasgam o que há de mais genuíno em nós.

E o que em ti é genuíno e que se estende em cada frase que proferes com o coração despido por essa honestidade que te rege e que te aplaude, vejo-o eu em ti, agora, quando te dispões a segurar, mesmo que doa, essa pequena flâmula que te foi doada a título de intempérie ou de epifania, e o fazes com a sóbria dedicação das pessoas (ímpares) que se empenham verdadeiramente nas pequenas coisas com o propósito de as fazer florir, desabrochar e vingar sobre o palco tenebroso dos medos que por vezes conseguem ser mais fortes que muita gente e abafar todas as suas vontades de sonho.

Eu vejo e - estou segura - essa outra personagem que te lê, também o vê.

=)

4:03 AM  
Blogger Arms said...

Como sempre, meu amigo... as tuas palavras são realmente excelentes! Adoro lê-las!

Mas digo-te o mesmo que me disseste, mas com um twist: Sempre te achei contido. Mas, ao contrário de mim, que o sou para fora, és contido em ti mesmo.

Do not over-think! Do not plan ou imagine! Live and love... and life will show you the way! ;)

6:30 AM  

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